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Como se dar bem com os pais: dicas para a vida intergeracional

Fale o que você quiser de 2020, mas esse foi um ano de várias novas experiências e oportunidades, muitas das quais ninguém imaginava nem mesmo nos nossos piores pesadelos. 

Essas “oportunidades” — como perder o emprego, morar numa cidade populosa e com pico de casos, conciliar filhos e emprego em tempo integral e assim por diante — só aceleraram uma tendência que vem se desenvolvendo há mais de uma década: a vida intergeracional.

Em setembro, a Pew Research** informou que, pela primeira vez desde a Grande Depressão, a maioria dos jovens adultos (52%) mora com os pais, em relação a 47% em fevereiro. Muitos dos que viviam em grandes cidades — particularmente Nova York — voltaram a morar com a família na cidade natal, pelo menos temporariamente.

Há também aqueles na casa dos 30 e 40 anos cujos pais acabam indo morar com eles muito antes do esperado. Muitos desses casos resultam em conflitos entre três gerações, com os pais conciliando as necessidades dos filhos e a presença exagerada dos pais.

Com o novo aumento nos casos e uma previsão desanimadora na economia, as condições de vida estão sujeitas a mudanças. Porém, seja lá o que fez você voltar a morar com seus pais (ou vice-versa), é possível lidar com os problemas na comunicação, empatia, respeito e, devemos dizer, com os desafios que vêm por aí.

Trace expectativas claras

Quais são as expectativas e o cronograma? Você vai morar com eles até que as coisas na sua cidade se acalmem? Eles vão morar com você até encontrarem um emprego e poderem se sustentar de novo? Essa situação vai durar até que a vida volte um pouco ao normal? Quem paga o aluguel ou as prestações da casa? Quanto é? As contas da casa são divididas? 

Conversar sobre esses assuntos cara a cara não só estabelece a situação como temporária (se de fato for), mas também resolve as questões financeiras complicadas.

Tessa, assim como outros entrevistados para este artigo (alguns nomes foram alterados), está morando com a mãe, o marido e as duas filhas. Cada um tem o próprio espaço - a mãe possui uma moradia completa no porão -, mas todos colaboram na manutenção da propriedade e na creche.

“É bom estabelecer regras básicas já no início”, ela recomenda.

Lauren, que mora com o pai no sul do estado de Louisiana, conta que gosta de cuidar da casa, principalmente quando ele viaja a trabalho.

“Cuidar da casa quando ele viaja é uma bênção para mim; faço coisas tipo garantir que haja papel higiênico e comida”, ela explica. "Aproveitei para tocar projetos como calafetar e pintar a varanda."

Crie um espaço físico e digital 

Vocês não precisam passar o tempo todo juntos. Aliás, é bom planejar um tempo afastados e estabelecer quais áreas são reservadas e para quem.

“Infelizmente, a pandemia não deixa a gente ir a lugar nenhum, mas pelo menos podemos ficar sozinhos em um cômodo da casa”, diz Emily, que está hospedando a mãe em casa há seis semanas.

Para as duas e o resto da família, fazer um cronograma ajudou muito. “É ótimo se todos tiverem algo para fazer, como um trabalho, um projeto ou uma aula on-line.”

Para Tessa, isso mostrou que nem todo dia tem um "noite em família".

“Falei a ela: 'Haverá noites em família e noites reservadas às vezes.' Tentamos ser abertos e ter essas conversas, e muito disso envolve paciência e respeitar quando alguém precisa de espaço.”

Além do lado físico, isso mantém você em contato com o mundo exterior — principalmente com quem pode estar passando pela mesma situação. 

Usar ferramentas digitais para conversar com pessoas que não são da família é ótimo para desabafar, rir e lembrar que você tem uma vida além das paredes compartilhadas. 

Com os amigos, qualquer coisa serve, seja uma reunião em VR ou o bom e velho telefonema; porém, se ninguém no seu círculo estiver na sua situação, é um ótimo momento para aprender as bela arte da amizade na internet! Há muita gente por aí passando pela mesma experiência, frustração e emoções que você — por isso, vá fuxicar blogs, fóruns de discussão e grupos de mídias sociais. 

Mantenha a perspectiva 

Segundo a Emily, é importante olhar o panorama geral.

“Quando dou um passo para trás, consigo dizer: 'Isso tudo é mesmo chato, mas que bom que ela está aqui.' E me lembro de ver as coisas pela perspectiva dela — ter empatia é ótimo contra a irritação.”

Para ela, isso envolveu ignorar conflitos na hora de arrumar a casa (ela se descreve como "rigorosa") e criar os filhos, embora às vezes ela tenha que impor limites.

“Peço para ela guardar as facas que ela tira do lugar”, Emily se diverte. 

Para Lauren, isso envolve não discutir política, já que seu pai tem opiniões muito diferentes. 

“Não daria uma conversa produtiva”, ela lamenta. “Então não tocamos no assunto. Deixo as coisas assim para manter a ordem em casa. Como moro com ele, não posso deixá-lo bravo demais.”

“A pandemia está nos forçando a passar muito mais tempo juntos; os relacionamentos ficam mais íntimos, e você acaba em conflitos que poderiam ser evitados”, explica Emily. “Em vez de chegar ao que chamo de pane geral, tire um tempo para descobrir o que é essa pane. Pergunte: "O que posso abordar? Qual é o melhor jeito de fazer isso?"

“Normalmente, eu pensaria: 'Minha mãe está me deixando louca! Preciso de espaço.' Agora tenho que processar a situação, entrar nos detalhes e resolver comigo mesma ou com ela. O que preciso mudar? Ou o que preciso sugerir?”

Lembre-se: você ainda é um adulto

Na casa do seus pais, pode ser difícil não se sentir novamente como criança. A proximidade pode provocar ressentimentos de infância e padrões maléficos, e é fácil voltarmos a nos sentir como adolescentes. 

Segundo Veronica, que morou com a mãe em Santa Fé por dois meses, o maior desafio é estabelecer “que vivemos como adultos independentes há décadas”.

“Sugiro mostrar que você aprendeu a cozinhar nesses 20 anos vivendo sem eles”, ensina ela, acrescentando que talvez um pouco de regressão seja inevitável nesse momento conturbado.

“Passei bastante tempo no quarto, apenas ligando para os amigos”, diz ela, rindo. “Era como uma adolescente — eu ficava no quarto, ligava para os amigos e reclamava de como minha mãe era um saco.”

Além disso, ela recomenda evitar outras coisas que podem ter lhe dado problemas na adolescência.

“Também aconselho maneirar na bebida, por mais tentador que isso seja morando com os pais.”

Kelly Williams Brown é escritora best-seller e escreveu um livro sobre “Virar adulto”. Saiba mais sobre Kelly e seu próximo projeto no site dela. Confira o mais recente artigo de Kelly em CONQUISTANDO, sobre como mandar bem na sua próxima entrevista de emprego virtual.

**“A majority of young adults in the U.S. live with their parents for the first time since the Great Depression.” Pew Research Center, Washington, D.C. (September 4, 2020) https://www.pewresearch.org/fact-tank/2020/09/04/a-majority-of-young-adults-in-the-u-s-live-with-their-parents-for-the-first-time-since-the-great-depression/

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